Qualquer pessoa pode usar o botão Denunciar de um anúncio do Mercado Livre, mas nesse caminho quem analisa e decide é o próprio Mercado Livre. Para violação de marca, o canal é o Brand Protection Program, que pede a marca registrada no INPI. Nele, o anúncio denunciado é pausado na hora e, se o vendedor responder, quem decide se ele volta ao ar ou é excluído é o dono da marca: pelos termos do programa, o Mercado Livre não analisa a resposta nem interfere na decisão.
Quem pode denunciar um anúncio no Mercado Livre?
Existem duas portas de denúncia no Mercado Livre, e elas funcionam de jeitos opostos.
A primeira é o link Denunciar, que aparece em todo anúncio. Qualquer usuário pode usá-lo para apontar, por exemplo, produto proibido, cópia ou falsificação, fraude, dados de contato no anúncio ou pagamento fora da plataforma. Nesse caminho, quem analisa e decide é o próprio Mercado Livre.
A segunda é o Brand Protection Program (BPP), o programa do Mercado Livre para titulares de propriedade intelectual. É por ele que se denuncia o uso indevido de uma marca. Na tela de denúncia de qualquer anúncio, o próprio Mercado Livre avisa o titular que quer denunciar produto falsificado ou pirata: "faça sua denúncia através do Brand Protection Program".
| Link "Denunciar" do anúncio | Brand Protection Program | |
|---|---|---|
| Quem usa | Qualquer usuário | Titular do direito ou procurador cadastrado |
| Para quê | Produto proibido, fraude, preço inconsistente, pagamento fora da plataforma | Marca, direito autoral, patente, desenho industrial |
| Quem decide | O Mercado Livre | O membro que denunciou |
| O que acontece com o anúncio | Fica sob análise do Mercado Livre | É pausado na hora |
| Exige registro | Não | Para marca, o certificado de registro |
A diferença está na linha "quem decide". No botão comum, você é só mais um usuário avisando a plataforma. No Brand Protection, a decisão final é sua.
Por que, no Brand Protection, quem decide é você?
Porque é assim que o programa foi desenhado. Pelos termos do Brand Protection Program, a denúncia segue estas etapas:
- O membro denuncia o anúncio e ele é pausado na hora. Não aparece para os compradores e não recebe novas vendas.
- O vendedor é notificado e tem uma única chance de responder, com documentos. O FAQ do programa fala em 3 dias, contando de segunda a sábado. As páginas da central do vendedor falam em 3 ou 4 dias corridos. Na dúvida, vale o prazo que aparece na notificação.
- Se o vendedor não responde no prazo, o anúncio é excluído de vez.
- Se ele responde, o membro analisa a resposta e decide: aceita, e o anúncio volta ao ar, ou recusa com um motivo válido, e o anúncio é excluído permanentemente.
O ponto central está escrito nos termos do programa: o Mercado Livre não verifica as respostas dos vendedores nem a documentação enviada e não interfere na decisão final do membro. Na prática, quem tem a marca registrada vira o juiz do próprio caso.
Esse poder tem um lado que pouca gente conhece: se o membro não analisar a resposta dentro do prazo, o anúncio é reativado. Um anúncio reativado pode ser denunciado de novo, e vendedores denunciados repetidas vezes podem sofrer sanções, de impacto na reputação até a desativação da conta.
O que dá para derrubar e o que não dá?
O programa serve só para infrações de propriedade intelectual. Segundo o Mercado Livre, entram:
- produto falsificado ou pirata usando a sua marca;
- uso ilegal da marca, como um produto genérico vendido com o seu nome no título ou nas fotos;
- uso não autorizado de imagens, como fotos suas copiadas;
- vendedor que se apresenta como distribuidor oficial da marca sem ser.
E ficam de fora, pelos termos do programa:
- Preço. Concorrente vendendo mais barato não é infração de marca.
- Canal de distribuição. O programa não serve para controlar quem pode vender.
- Contrabando, questões fiscais e descumprimento de contrato. Esses casos vão para a via judicial ou administrativa.
- Revenda do produto original. A Lei da Propriedade Industrial impede o titular de barrar a circulação de um produto que ele mesmo, ou alguém com o consentimento dele, colocou no mercado interno (art. 132, III). Veja o que muda quando outro vendedor entra no seu anúncio de catálogo.
Usar a denúncia fora desse alcance tem consequência. Veja quando derrubar o anúncio de um concorrente é direito e quando vira processo.
Por que, sem o registro, você fica do lado errado da denúncia?
Para cadastrar uma marca no Brand Protection, o programa pede a cópia do certificado de registro emitido pelo órgão de marcas do país. No Brasil, esse órgão é o INPI. Quem só tem o nome em uso, o CNPJ ou o pedido protocolado não entra no programa como dono daquela marca.
Sem o registro, sobra o link Denunciar comum, em que a decisão é do Mercado Livre. E o risco maior é o inverso: no Brasil, a marca é de quem tem o registro no INPI, não de quem vende primeiro (art. 129). Se outra pessoa registrar o seu nome antes de você, é ela quem entra no programa e passa a ser a juíza dos seus anúncios.
Do outro lado, a experiência é a de ver o anúncio aparecer como "Inativo por denúncia", com poucos dias para provar algo para quem fez a denúncia. Veja o que acontece quando o seu anúncio é denunciado e o que fazer quando alguém registrou a sua marca.
O que costuma dar errado?
- Achar que o protocolo basta. O programa pede o certificado de registro. O guia mostra o que o protocolo já garante e o que depende do certificado.
- Registro na classe errada. Se o registro não cobre o produto anunciado, a denúncia fica frágil. É comum o pedido feito só na classe 35; veja por que a classe 35 não protege o produto.
- Perder o prazo de análise. Se o membro não decide a tempo, o anúncio volta ao ar. Quem denuncia e não acompanha entrega a decisão de volta ao vendedor.
- Denunciar o que não é infração. Preço e revenda do original ficam de fora, e denúncia sem fundamento pode render sanções no programa e pedido de indenização.
- Marca no nome de outra pessoa. Quem entra no programa é o titular do registro. Marca no CPF de um sócio e loja no CNPJ da empresa deixam a denúncia dependendo dele; veja se a marca deve sair no CPF, no MEI ou no CNPJ.
Como chegar ao lado de quem decide?
O caminho começa no INPI, com o nome certo, nas classes certas e no titular certo. O prazo é do INPI e ninguém controla. A média da fila comum é de 12 meses do protocolo à decisão. Nos pedidos que passam pela análise prévia da Market Shield e não têm oposição nem exigência, a decisão costuma sair entre 6 e 8 meses. Com o trâmite prioritário do INPI para marketplace, quando há cota, pode ser menos.
A Market Shield cuida do pedido no INPI até o deferimento e orienta o uso da marca no Brand Protection do Mercado Livre, no Brand Registry da Amazon e no caminho para a Loja Oficial. Para saber se o nome da sua marca pode ser seu, o diagnóstico inicial é gratuito.
Perguntas frequentes
Qualquer pessoa pode denunciar um anúncio no Mercado Livre?
Pode, pelo link Denunciar do anúncio, para motivos como produto proibido, cópia ou falsificação, fraude e pagamento fora da plataforma. Nesse caminho, quem analisa é o Mercado Livre. Para violação de marca, a própria tela de denúncia orienta o titular a usar o Brand Protection Program.
Quem decide se o anúncio denunciado sai do ar?
No Brand Protection Program, quem decide é o membro que denunciou, ou seja, o titular do direito ou o procurador dele. Pelos termos do programa, o Mercado Livre não verifica a resposta do vendedor nem a documentação e não interfere na decisão final. Se o membro mantém a denúncia, o anúncio é excluído de vez; se aceita a resposta, o anúncio volta ao ar.
Preciso ter a marca registrada para denunciar pelo Brand Protection?
Para denunciar por marca, sim. O programa pede a cópia do certificado de registro emitido pelo órgão de marcas do país, que no Brasil é o INPI. O pedido protocolado, sozinho, não atende a esse requisito.
O que é o PPPI do Mercado Livre?
É o mesmo Brand Protection Program. Na central de ajuda do Mercado Livre, o endereço dos termos do programa usa o nome Programa de Proteção à Propriedade Intelectual, de onde vem a sigla PPPI. O programa também aparece como BPP.
Posso denunciar um concorrente que vende mais barato?
Não. Os termos do programa excluem denúncias por preço, canal de distribuição, contrabando, questões fiscais e descumprimento de contrato. Quem denuncia sem fundamento pode ter a conta do programa limitada ou suspensa e responde pelo prejuízo causado ao vendedor.
Fontes
- Mercado Livre: Termos e condições do Brand Protection Program
- Mercado Livre: perguntas frequentes do Brand Protection Program
- Mercado Livre: O que fazer se a denúncia estiver fora do alcance de BPP
- Lei da Propriedade Industrial (Lei 9.279/1996)
Conteúdo informativo, revisado na data indicada. Regras do INPI e dos marketplaces mudam: confira sempre a versão vigente. A decisão sobre o registro é do INPI.
Cofundador da Market Shield. Também é cofundador da Copping Brazil, comunidade com mais de 2.000 empreendedores que vendem no Mercado Livre, TikTok Shop e Shopee, do Centralize HUB, de logística para sellers, e da Buyticket, marketplace de revenda de ingressos com mais de 500 mil usuários. Traz para a proteção da marca a visão de quem constrói e opera marketplaces. Perfil no LinkedIn



