Depende de quem tem o registro. Se outra pessoa pediu o seu nome no INPI, a oposição cabe em 60 dias após a publicação do pedido; depois do registro, há 180 dias da expedição do certificado para a nulidade no INPI e 5 anos da concessão para a ação de nulidade. Se a marca registrada é sua, quem usa o nome sem autorização pode responder por crime e pagar indenização, que nos casos analisados pela Market Shield ficou, em média, em 5% do que foi vendido com o nome.
O que conta como uso indevido de marca?
No Brasil, a marca é de quem tem o registro no INPI: a propriedade se adquire pelo registro, com uso exclusivo em todo o país (art. 129). Por isso, a primeira pergunta é sempre quem tem o registro do nome.
Uso indevido é reproduzir ou imitar uma marca registrada sem autorização do titular, de um jeito que possa confundir o comprador, ou vender produto com ela. Revender o produto original, colocado no mercado pelo titular ou com o consentimento dele, não entra nessa conta (art. 132).
Alguém registrou a sua marca: o que está em jogo?
Se outra pessoa pediu no INPI o nome que você usa e o registro sair, ela pode denunciar os seus anúncios no programa de proteção do marketplace. No Mercado Livre, o anúncio denunciado é pausado e não recebe novas vendas enquanto a denúncia corre.
O seu pedido também fica ameaçado. A lei não deixa registrar a imitação de marca alheia registrada para produtos iguais, parecidos ou afins (art. 124, XIX): se o pedido do outro for concedido, o seu, feito depois, pode ser indeferido. E continuar vendendo com um nome registrado por outra pessoa abre caminho para um processo por uso indevido de marca contra você.
A lei dá argumentos a quem chegou antes. Quem usava o nome no Brasil, de boa-fé, há pelo menos 6 meses na data do pedido do outro tem direito de precedência ao registro (art. 129, §1º). E não se registra marca que imita outra que o requerente, pela atividade dele, evidentemente não poderia desconhecer (art. 124, XXIII), como um concorrente do mesmo nicho. Mas esses direitos precisam ser alegados e provados, dentro de prazos.
Quanto tempo você tem?
Enquanto o pedido do outro está em análise, a oposição cabe em 60 dias, contados da publicação na Revista da Propriedade Industrial, a RPI (art. 158).
Com o registro concedido, a nulidade no INPI pode ser pedida em até 180 dias da expedição do certificado (art. 169). Depois, resta a ação de nulidade na Justiça Federal, que prescreve em 5 anos da concessão (arts. 174 e 175).
Nada disso é rápido: o prazo é do INPI, e um pedido com oposição demora mais que a média de 12 meses da fila comum. Enquanto isso, você vende com um nome em disputa.
E quando a marca é sua e alguém usa o seu nome?
Com o registro concedido, a denúncia pelo Brand Protection do Mercado Livre pausa o anúncio do outro enquanto a denúncia corre. Na Justiça, o juiz pode mandar parar a violação antes mesmo de citar o outro lado (art. 209, §1º).
Uso indevido de marca também é crime. Reproduzir ou imitar marca registrada sem autorização tem pena de detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa (art. 189). Vender, expor à venda ou ter em estoque produto com a marca reproduzida ou imitada tem pena de 1 a 3 meses de detenção, ou multa (art. 190). A ação penal depende de queixa do titular (art. 199).
O cálculo do que o titular deixou de ganhar segue o critério mais favorável a ele: o que teria ganhado sem a violação, o que o infrator ganhou ou o que este pagaria por uma licença (art. 210). O pedido de reparação prescreve em 5 anos (art. 225).
Quanto custa errar?
Pense numa loja que fatura R$ 60 mil por mês e vende há 2 anos com o mesmo nome: R$ 1,44 milhão vendidos com a marca. Se o nome estiver registrado por outra pessoa e a disputa for perdida, a conta tem três partes.
A indenização: nos casos analisados pela Market Shield com o escritório parceiro, ela ficou, em média, em 5% do que foi vendido com o nome, podendo chegar a 10% ou mais, conforme o juiz. Para essa loja: R$ 72 mil na média e R$ 144 mil ou mais a 10%.
A troca de nome: trocar o nome de uma marca que já circula custa, em média, de R$ 30 a 34 mil, segundo a Market Shield. E o pedido do nome novo começa do zero, numa fila comum que hoje leva, em média, 12 meses até a decisão.
Os anúncios parados: com R$ 60 mil por mês, cada dia pausado custa cerca de R$ 2 mil em vendas; uma semana, R$ 14 mil.
Ao todo, mais de R$ 110 mil. A conta vale nos dois sentidos: é também o que pode cobrar quem tem o registro. Em qualquer caso, quem decide o valor é o juiz.
O que costuma dar errado?
- Perder o prazo de oposição. Ele corre a partir da publicação do pedido na RPI, e quem não acompanha a revista pode descobrir o pedido do outro tarde demais. Veja as etapas do processo no INPI.
- Mandar notificação extrajudicial sem estratégia. Ela avisa a outra parte antes da hora, que pode depositar um pedido, tirar as provas do ar ou contestar o seu registro. Sem registro em seu nome, a cobrança pode não ter base.
- Achar que usar o nome há anos basta. O uso anterior precisa ser de boa-fé, de pelo menos 6 meses antes do pedido do outro, e provado com data. É um dos mitos que custam a marca.
- Esperar. Os prazos correm sozinhos, e cada mês de venda aumenta a base de uma eventual indenização.
Por que esse caso pede um especialista?
Cada cenário tem caminhos próprios, com prazos que não voltam e detalhes que mudam a estratégia. Na oposição baseada no inciso XXIII, por exemplo, quem se opõe precisa comprovar, em 60 dias, o depósito do próprio pedido; sem isso, a oposição nem é analisada (art. 158, §2º).
A Market Shield avalia, com o escritório parceiro, em que ponto está a disputa, quais prazos seguem abertos e quanto a sua operação arrisca em reais. Para entender o seu caso, o diagnóstico inicial é gratuito.
Perguntas frequentes
O que é considerado uso indevido de marca registrada?
É reproduzir ou imitar, sem autorização do titular, uma marca registrada de um jeito que possa confundir o comprador, ou vender produto com essa marca. Revender o produto original, colocado no mercado pelo titular ou com o consentimento dele, não é uso indevido.
Qual o valor da multa por uso indevido de marca?
No crime, a lei prevê detenção ou multa; na indenização, o valor é calculado caso a caso, pelo critério mais favorável ao titular. Nos casos analisados pela Market Shield com o escritório parceiro, a indenização ficou, em média, em 5% do que foi vendido com o nome, podendo chegar a 10% ou mais, conforme o juiz.
O que é crime de violação de marca?
A lei chama de crime contra registro de marca reproduzir ou imitar marca registrada sem autorização, com detenção de 3 meses a 1 ano ou multa, e vender, expor à venda ou ter em estoque produto com marca reproduzida ou imitada, com detenção de 1 a 3 meses ou multa. Nesses crimes, a ação depende de queixa do titular.
Quanto tempo dura a proteção de uma marca registrada?
O registro vale por 10 anos, contados da concessão, e pode ser prorrogado por períodos iguais e sucessivos, desde que a prorrogação seja pedida no prazo. A exclusividade vale em todo o Brasil, nas classes registradas.
Usar o nome há anos garante a marca?
Não. A propriedade vem do registro, e quem chega primeiro ao INPI sai na frente. Quem usava o nome de boa-fé há pelo menos 6 meses na data do pedido do outro tem direito de precedência, mas precisa reivindicá-lo e provar o uso.
Fontes
- Lei da Propriedade Industrial (Lei 9.279/1996)
- INPI: perguntas frequentes sobre marcas
- Mercado Livre: perguntas frequentes do Brand Protection Program
Conteúdo informativo, revisado na data indicada. Regras do INPI e dos marketplaces mudam: confira sempre a versão vigente. A decisão sobre o registro é do INPI.
Cofundador da Market Shield. Também é cofundador da Copping Brazil, comunidade com mais de 2.000 empreendedores que vendem no Mercado Livre, TikTok Shop e Shopee, do Centralize HUB, de logística para sellers, e da Buyticket, marketplace de revenda de ingressos com mais de 500 mil usuários. Traz para a proteção da marca a visão de quem constrói e opera marketplaces. Perfil no LinkedIn



