O Brand Protection Program é a ferramenta gratuita do Mercado Livre para o titular de uma marca denunciar anúncios que violam os seus direitos. Para cadastrar uma marca, o programa pede o certificado de registro do INPI. A denúncia pausa o anúncio na hora, o vendedor tem 3 dias para responder e, se ele responder, quem decide é o titular.
O que é o Brand Protection Program?
O Brand Protection Program (BPP) é o canal oficial do Mercado Livre para quem tem direitos de propriedade intelectual denunciar anúncios que os violam. Ele funciona no modelo de aviso e retirada: o titular avisa, o anúncio sai do ar e o vendedor tem a chance de responder.
O programa cobre marcas, direitos autorais (como fotos e textos originais), desenhos industriais, patentes e modelos de utilidade. A participação é gratuita.
Segundo o próprio Mercado Livre, as denúncias feitas no programa também servem para a plataforma identificar padrões e remover anúncios parecidos. Quem está cadastrado ajuda a treinar esse filtro a seu favor.
Quem pode entrar no Brand Protection?
Pode aderir o titular dos direitos ou um procurador. Se for um procurador, o programa pede uma declaração atual do titular.
Para cadastrar uma marca, a FAQ do programa pede a cópia do certificado de registro emitido pelo órgão de marcas do país. No Brasil, esse órgão é o INPI. Na prática, isso significa que o programa é para quem já tem a marca concedida, e não só o pedido protocolado. O guia mostra o que o protocolo já libera e o que depende do certificado.
Por isso o registro vem antes de tudo. No Brasil, a propriedade da marca se adquire pelo registro, e não pelo tempo de uso. Quem usa um nome sem registro não consegue entrar no programa e ainda corre o risco de outra pessoa registrar o mesmo nome e passar a denunciar os seus anúncios.
Como funciona a denúncia no Brand Protection?
- O titular encontra um anúncio que viola a marca e faz a denúncia pela ferramenta do programa.
- O anúncio é pausado na hora e o vendedor é avisado. Enquanto o processo corre, o anúncio não aparece para compradores e não pode receber novas vendas.
- O vendedor tem 3 dias para responder. A contagem inclui de segunda a sábado, mesmo feriados; só o domingo fica de fora. Sem resposta no prazo, o anúncio é excluído de vez.
- Se o vendedor responder, o titular tem 3 dias para analisar a resposta. Ele decide se mantém a denúncia, e o anúncio é excluído, ou se a retira, e o anúncio volta ao ar.
- Vendedores denunciados repetidas vezes podem sofrer sanções previstas nos termos do Mercado Livre, como mudanças na reputação, suspensão temporária e até desativação da conta.
Os prazos acima são os da FAQ oficial na data de revisão deste artigo. Regras de plataforma mudam, então confira sempre a versão vigente.
O que dá para denunciar e o que não dá?
A denúncia precisa se basear em violação de direito. Em geral, entram:
- anúncio de produto falsificado usando a sua marca;
- produto diferente vendido com o nome ou o logo da sua marca;
- uso da sua marca sem autorização para atrair compradores;
- fotos ou textos originais seus copiados, que são protegidos por direito autoral.
Não entram:
- Revenda do produto original. A Lei da Propriedade Industrial impede o titular de barrar a circulação de um produto que ele mesmo, ou alguém com o consentimento dele, colocou no mercado.
- Disputa de preço. Vender mais barato não é infração de marca. Usar o programa para tirar concorrentes por preço é um uso indevido da ferramenta.
O que costuma dar errado?
- Tentar entrar com o pedido ainda em análise. O cadastro de marca pede o certificado de registro. Até a marca ser concedida, ela não entra no programa, e o tempo do INPI não depende de você.
- Registro na classe errada. Se o registro não cobre o produto anunciado, a base da denúncia fica frágil. É um erro comum quando o pedido foi feito só na classe 35 ou sem análise das classes; veja por que a classe 35 não protege o produto.
- Denunciar o que não é infração. Revenda do produto original e preço mais baixo não são violação de marca. Uma denúncia sem base pode ser respondida pelo vendedor e não se sustentar.
- Não acompanhar os prazos. O titular também tem prazo para analisar a resposta do vendedor. Quem não acompanha as denúncias corre o risco de perder o momento de decidir.
Por onde começar se a marca ainda não é registrada?
Se você ainda não tem a marca registrada, o primeiro passo é o pedido no INPI, com as classes certas para a sua loja e para os seus produtos. Enquanto o pedido tramita, a data do protocolo já serve de referência contra quem pedir o mesmo nome depois. Depois de concedido, o mesmo registro vale na Shopee e no TikTok Shop. Se a sua operação depende da marca para vender, vale conhecer também o trâmite prioritário do INPI para marketplace.
A Market Shield cuida do pedido no INPI até o deferimento e orienta o uso da marca no Brand Protection, no Brand Registry da Amazon e no caminho para a Loja Oficial. Para entender o seu caso, o diagnóstico inicial é gratuito.
Perguntas frequentes
Posso entrar no Brand Protection só com o protocolo do INPI?
Pela FAQ oficial do programa, o cadastro de uma marca pede a cópia do certificado de registro. O protocolo, sozinho, não atende a esse requisito. Confira sempre a regra atual no portal do programa.
Quanto custa participar?
Nada. A participação no Brand Protection Program é gratuita.
Posso denunciar quem revende o meu produto original?
Não por violação de marca. A Lei da Propriedade Industrial impede o titular de barrar a circulação de um produto que ele mesmo, ou alguém com o consentimento dele, colocou no mercado.
Um procurador pode cuidar do cadastro?
Pode. O programa aceita o titular ou um procurador. No caso do procurador, é preciso anexar uma declaração atual do titular dos direitos.
Fontes
- Mercado Livre: perguntas frequentes do Brand Protection Program
- Mercado Livre: como protegemos a propriedade intelectual
- Lei da Propriedade Industrial (Lei 9.279/1996)
Conteúdo informativo, revisado na data indicada. Regras do INPI e dos marketplaces mudam: confira sempre a versão vigente. A decisão sobre o registro é do INPI.
Cofundador da Market Shield. Também é cofundador da Copping Brazil, comunidade com mais de 2.000 empreendedores que vendem no Mercado Livre, TikTok Shop e Shopee, do Centralize HUB, de logística para sellers, e da Buyticket, marketplace de revenda de ingressos com mais de 500 mil usuários. Traz para a proteção da marca a visão de quem constrói e opera marketplaces. Perfil no LinkedIn



